Doenças da Coluna Vertebral

Doenças da Coluna Vertebral

Existem diversos fatores de predisposição para o desenvolvimento de doenças da coluna, bem como medidas preventivas para evitar seu surgimento ou conter seus avanços. Hábitos saudáveis compostos de alimentação balanceada, prática regular e bem orientada de atividade física, assim como atenção constante à postura, são algumas delas.

As doenças da coluna podem ser identificadas como:

DEGENERATIVAS

Originadas como consequência do processo de envelhecimento natural do corpo, que também ocorre na coluna, em todos os seres humanos. São exemplos: protusão discal, hérnia de disco e bico de papagaio (osteófitos).

Assim, se fizermos exames de ressonância magnética, raio-x ou tomografia da coluna à medida que vamos envelhecendo, encontraremos alterações. Só é considerada a existência de uma doença quando há sintomas relacionados a estas alterações.

CONGÊNITAS

O paciente já nasce com o problema, normalmente uma má-formação da vértebra, podendo estar associada a escoliose, a inclinação lateral do corpo, e/ou hipercifose da coluna torácica, com o deslocamento da coluna para frente e o aparecimento de uma giba nas costas (corcunda).

IDIOPÁTICAS

São as doenças cujas causas não são conhecidas. A principal é a escoliose idiopática do adolescente, normalmente identificada após os 10 anos.

DOENÇAS MAIS COMUNS DA COLUNA

DOR LOMBAR OU LOMBALGIA

lombalgia

Lombalgia é a famosa dor nas costas, tipo mais frequente de queixa na região da coluna. Quando ocorre no pescoço ou tórax, passa a ser chamada de cervicalgia e dorsalgia, respectivamente.

Em ambos os casos, as dores podem ocorrer de forma aguda, normalmente com evolução para a cura em até até três meses. Na forma crônica, ela persiste por mais de 3 meses e até mesmo anos, trazendo grandes limitações para o paciente.

Mais de 80% da população irá experimentar algum episódio de lombalgia aguda durante sua vida devido a fatores como:

  • Má postura, traumas, lesões ou entorses;
  • Carregamento de peso em excesso;
  • Atividades que causem estresse na coluna, como exercícios físicos intensos;
  • Obesidade.

Entre as causas que normalmente evoluem para dores crônicas estão:

  • Alterações degenerativas da coluna;
  • Tumores;
  • Infecções (osteomielite);
  • Escoliose idiopática (sem causa) ou do adulto (dada por alterações degenerativas);
  • Má formações congênitas;
  • Deformidades.

Hérnia de Disco

hernia de disco

Uma das doenças de coluna mais prevalentes, a hérnia de disco ocorre em virtude dos processos degenerativos dos discos vertebrais, que passam a comprimir e atritar a raiz nervosa e, deste modo, provocam uma forte dor que irradia para os glúteos e pernas. Esta dor também é conhecida como “dor ciática” ou “dor do nervo ciático”.

O tratamento inicial se baseia na melhora das crises de dor por meio de medicações analgésicas, relaxantes musculares e antiinflamatórios. Também associa-se a fisioterápia analgésica e outras terapias físicas complementares, como acupuntura, RPG e pilates.

Não há necessidade específica de repouso, apenas que atividades físicas sejam evitadas. Quando não há efetividade no tratamento, o que ocorre em aproximadamente 5% dos casos, são indicados os procedimentos cirúrgicos.

Artrose na Coluna

A artrose se dá pelo processo degenerativo, desgaste dos discos e das vértebras, que evolui com o aparecimento de hérnias de disco, osteófitos (bicos de papagaio), diminuição da altura dos discos intervertebrais – o que faz com que o idoso diminua de altura –, aumento das articulações facetárias e hipertrofia dos ligamentos.

As alterações podem ser assintomáticas ou muito dolorosas, indicando a necessidade do tratamento medicamentoso e fisioterápico (com fisioterapia analgésica, RPG e acupuntura) para o alívio das dores. Em alguns casos é necessário o tratamento cirúrgico para descompressão das raízes nervosas, associado ou não à fusão óssea: a artrodese.

ESCOLIOSE

escoliose

É uma curva anormal da coluna, fazendo com que haja uma inclinação para um dos lados quando olhamos o indivíduo de frente. Geralmente se desenvolvem no padrão de uma letra “C” ou “S”, a partir da região torácica ou em sua transição com a região lombar.

Pode ser classificada como congênita ou ser associada a doenças neuromusculares e degenerativas. A maioria, porém, é identificada como idiopática, ou seja, de causa indeterminada.

Pacientes jovens raramente têm dor nos casos de escoliose idiopática. O tratamento é feito com coletes ou cirurgia para evitar a progressão da curva.

Adultos normalmente têm a dor como o fator preponderante no quadro clínico. Inicialmente é indicado o tratamento clínico e, caso não apresente melhora, há a indicação para cirurgia.

Cifose

É uma curva que apresenta a convexidade posterior na região torácica e sacral. O aumento anormal da curvatura fisiológica da coluna (especialmente na região dorsal) que gera uma inclinação excessiva do corpo para frente, a hipercifose torácica.

Em geral se apresenta sem uma causa definida, mas pode piorar por fatores posturais e, deste modo, evoluir para quadros dolorosos. O tratamento envolve a otimização da saúde óssea e muscular, uso de coletes e, em casos mais graves, a cirurgia.

Lordose

lordose

É uma curvatura que apresenta uma concavidade posterior na região cervical e lombar. O problema mais comum é a perda da lordose, ou seja, hipolordose lombar – que ocorre à medida que ficamos mais velhos. Pode causar bastante dor.

Espondilolistese

A espondilolistese ocorre pelo “escorregamento” de uma vértebra sobre a outra, podendo acarretar dor lombar severa acompanhada ou não de dor irradiada para os membros inferiores ou compressão das raízes nervosas que formam o nervo ciático.

Ocorre com mais frequência em pessoas idosas devido ao envelhecimento natural das vértebras. Nos jovens, está mais atribuída a problemas de má formação ou fratura da pars interarticular.

Estenose de Canal Lombar

A estenose do canal lombar é o estreitamento dos orifícios por onde passam as raízes nervosas dentro da coluna, o que pode gerar dor irradiada para as pernas enquanto o indivíduo caminha e melhora dos sintomas quando fica sentado.

O tratamento inicial é clínico, com medicações e terapias de reabilitação física. Caso não surta efeito, é possível a evolução do quadro para a indicação cirúrgica.

Mielopatia Cervical

A mielopatia cervical é uma doença degenerativa. Está relacionada ao envelhecimento e é secundária a um estreitamento do canal vertebral por onde passa a medula cervical, com compressão deste segmento. Essa pressão pode acontecer por fragmentos de hérnias de disco, por espessamento dos ligamentos próximo à medula, hipertrofia das articulações das vértebras (articulações facetárias) e por osteófitos (bicos de papagaio).

Seus principais sintomas são a rigidez e dores no pescoço, problemas de equilíbrio, fraqueza e adormecimento das mãos, braços e pernas, perda sensorial e de reflexos e, em alguns casos, incontinência urinária.

O diagnóstico pode ser realizado através do exame clínico, confirmado por exames de imagem. Destes, o mais importante é a ressonância magnética.

O tratamento da Mielopatia Cervical normalmente é cirúrgico, já que ocorre uma lesão progressiva da medula espinhal.

Dor Sacro Idílica

sacro iliaco

Conhecida no meio médico como a “dor esquecida”, é caracterizada por uma forte dor na região lombar, especialmente na área do “glúteo”, com predominância para um ou ambos os lados do corpo.

Pode ocorrer por diversos fatores, como quedas, frouxidão de ligamentos no pós-parto da mulher, como consequência de doenças inflamatórias ou reumatológicas (na forma de sacroleíte e espondilite anquilosante). Também é uma forma comum de dor após cirurgia na região lombar.

O tratamento da doença é para que a dor seja contida em longo prazo, realizando uma infiltração de medicamentos à base de morfina e cortisona. Se a dor persistir, o paciente pode ser submetido a um procedimento de lesão dos nervos da articulação sacro ilíaca por meio de radiofrequência, ou ainda realizar uma cirurgia para a fusão do osso sacro da coluna com o osso Ilíaco do quadril.

Osteoporose

A manutenção da ossificação das vértebras da coluna depende de fatores que influenciam o metabolismo do cálcio em nosso organismo. A diminuição da mineralização dos ossos de nosso corpo progride durante o envelhecimento.

Sedentarismo, pouca exposição solar, menopausa precoce e tabagismo são alguns dos fatores associados à osteoporose. Esta degeneração dos ossos predispõe as fraturas, que infelizmente são as manifestações clínicas mais frequentes desta doença. A densitometria óssea é o exame que detecta a osteoporose, que consiste em valor maior que 2,5 desvios- padrões abaixo da média do adulto jovem de mesmo sexo e raça.

O tratamento consiste em medicações e suplementos que aumentem a formação óssea, além de atividades para fortalecimento de musculatura e prevenção de quedas.

Trauma raquimedular

O trauma raquimedular é uma lesão que ocorre em qualquer ponto da medula espinhal. Como consequência, pode causar mudanças permanentes nas funções sensoriais e motoras na área abaixo do ferimento. Quando há uma lesão traumática completa, perde-se totalmente essas funções.

O trauma pode ser causado por pancadas, quedas ou um acidente de trânsito, por exemplo, e deve ser imediatamente assistido para impedir que o ferimento se agrave.

O tratamento deve ser multidisciplinar, contando com um especialista em coluna, fisioterapeuta, psicólogo e outros tipos de terapeuta, a fim de intervir não só no físico como também no emocional do paciente.

Tumor na coluna

O tumor de coluna figura entre o terceiro tipo de problema mais comum nesta região, atrás de doenças degenerativas e traumatismos. Apesar de ter incidência bem menor em relação às demais disfunções da coluna vertebral, a doença, quando ocorre, tem alta frequência de malignidade.

Os tumores benignos são os que têm origem na própria coluna, diferente dos malignos, comumente relacionados às metástases originadas de tumores de outras regiões do corpo, como mama, próstata e pulmão, que migram para a região das costas.

Como os sintomas do tumor nas costas se confundem com os de outras doenças, é de extrema importância que haja um diagnóstico precoce. Dor local, formigamento e paralisia dos braços ou pernas podem ser alguns dos sintomas. O quadro doloroso e algumas características um pouco diferenciadas da dor, bem como um emagrecimento rápido, fora do comum, também servem de alerta ao paciente, que deve procurar um especialista em coluna.

O diagnóstico da doença só pode ser confirmado por exames de imagem, como raios-X, tomografia e ressonância magnética. A cintilografia e PET-CT também podem ser indicadas, ajudando o oncologista a avaliar o estágio do tumor e as indicações terapêuticas.

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